
Nesta quarta-feira, 30 de julho de 2025, o presidente Donald Trump assinou um decreto executivo que eleva tarifas sobre importações brasileiras de 10% para 50%, com vigência a partir de 1º de agosto. A justificativa oficial menciona “ameaças à segurança nacional”, supostas barreiras ao setor tecnológico americano e ações do governo brasileiro contra aliados políticos dos EUA, especialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Contexto político e motivações
- Trump vinculou o aumento tarifário ao que classificou como “caça às bruxas” contra Bolsonaro no Brasil, considerando a ação judicial uma afronta à liberdade de expressão e às eleições livres americanas.
- Os EUA já mantêm um superávit comercial com o Brasil, o que coloca em dúvida a argumentação de defesa do comércio norte-americano.
- O decreto faz parte da estratégia chamada de “Tarifas do Dia da Libertação” (Liberation Day tariffs), que mira países que Trump considera como “não cooperativos” economicamente e politicamente.
Impactos diretos no Brasil e nos EUA
Setores mais atingidos no Brasil:
- Café: EUA consomem cerca de 8 milhões de sacas brasileiras por ano; o novo imposto pode inviabilizar exportações para esse mercado.
- Suco de laranja: Representa quase 42% das exportações brasileiras do produto; produtores já vivenciam desvalorização nos preços domésticos.
- Embraer e outros produtos aeroespaciais: Exportações dos aviões executivos e jatos regionais caem drasticamente com a tarifa alta.
Consequências na economia brasileira:
- Prejuízos em setores agropecuários e industrial resultariam em redução de exportações, risco de fechamento de negócios, e perda de mais de 100 mil empregos.
- Aumento da inflação interna, com impacto sobre o real em queda desde o anúncio das tarifas (queda acima de 2%).
- Estimativa de queda de até 0,2 ponto percentual no PIB e agravamento do déficit em conta corrente.
Nos EUA, consumidores devem enfrentar alta nos preços de café e suco de laranja, com impacto direto no custo do café da manhã americano.
Reação diplomática e jurídica
- O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou conversas com autoridades americanas como “presentes e frutíferas”, enfatizando que o Brasil está aberto ao diálogo, mas sem ceder à pressão política.
- No panorama jurídico, a medida alimenta contestações ao uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) pelos EUA — críticos sustentam que Trump ultrapassou suas atribuições legais ao impor tarifas politicamente motivadas.
- O Brasil já adotou o decreto da Lei de Reciprocidade Comercial, autorizando a aplicação de tarifas retaliatórias aos produtos norte-americanos frente a agressões econômicas externas