O Tabuleiro Politico

Famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no interior do Ceará têm enfrentado dificuldades significativas devido à falta de acesso a medicamentos, consultas especializadas e terapias essenciais para o desenvolvimento de seus filhos. Essa realidade tem gerado preocupação e mobilizado pais e responsáveis em busca de soluções.

Protestos em Ipaumirim e Barbalha

Em Ipaumirim, mães denunciaram cortes na distribuição de medicamentos e no transporte oferecido pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) para crianças autistas. Segundo relatos, os cortes começaram após uma audiência pública no município para debater o tema. As mães também apontam a falta de orientação adequada para realizar cadastros online e a sobrecarga de profissionais como fonoaudiólogos e psicólogos, que atendem além da demanda de crianças com necessidades especiais.

Em Barbalha, um grupo de mães protestou contra o atraso no fornecimento de medicamentos de alto custo e insumos farmacêuticos pela Secretaria de Saúde do Município. A demora na entrega chega a mais de três meses em alguns casos, afetando cerca de 20 pacientes. Além dos medicamentos, há escassez de materiais básicos utilizados no tratamento das crianças, como fraldas e seringas.

Déficit de atendimento especializado

A falta de serviços especializados para crianças com TEA é uma preocupação em todo o estado. Em audiência pública realizada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), discutiu-se o déficit de atendimento e a escassez de profissionais capacitados para realizar diagnósticos precoces. Especialistas estimam que, em Fortaleza, haja aproximadamente 24 mil crianças e adolescentes com autismo, evidenciando a necessidade de uma rede ampla e bem preparada para atender a essa demanda.

Iniciativas e desafios

Para enfrentar essa situação, algumas iniciativas têm sido implementadas. O Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), em Fortaleza, inaugurou um ambulatório voltado para o diagnóstico e tratamento precoce do autismo na primeira infância. O Núcleo de Atenção ao TEA na Primeira Infância (Natep) atende crianças de 1,5 a 6 anos, buscando detectar precocemente o transtorno e orientar as famílias sobre o tratamento adequado.

No entanto, a concentração desses serviços na capital evidencia a disparidade no acesso ao atendimento especializado entre Fortaleza e o interior do estado. Enquanto na capital há esforços para ampliar a oferta de serviços, municípios do interior enfrentam dificuldades para suprir as necessidades básicas das crianças com TEA.

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