O Tabuleiro Politico

Com profundo pesar, a comunidade cristã na Índia chora a perda de mais um mártir. O pastor e apologista Praveen Pagadala, de 45 anos, foi brutalmente assassinado nesta semana em Hyderabad, capital do estado de Telangana, em um caso que tem gerado comoção e indignação entre familiares, amigos e membros da igreja. A morte de Pagadala, um conhecido defensor da fé cristã e crítico ferrenho da intolerância religiosa, é vista por muitos como mais um capítulo da crescente perseguição aos cristãos no país, reacendendo o alerta sobre a segurança de líderes religiosos e missionários.

O corpo de Pagadala foi encontrado na manhã de 25 de março de 2025, às margens de uma estrada nos arredores de Rajahmundry, Andhra Pradesh, próximo a sua motocicleta Royal Enfield. Embora a polícia local tenha inicialmente classificado o caso como um acidente de trânsito, a família e a comunidade cristã rejeitam veementemente essa versão, apontando evidências de assassinato premeditado. Segundo relatos, o pastor havia recebido ameaças de morte nos últimos meses devido à sua atuação evangelística e aos debates televisionados em que confrontava outras religiões, incluindo o hinduísmo e o islamismo. “Ele era uma voz poderosa que não se calava diante da injustiça. Sua morte não foi um acidente, foi um ataque direto ao Evangelho”, declarou o pastor Karunanidhi Indupalli, da Federação de Igrejas Telugu, em entrevista recente.

A suspeita de homicídio ganhou força com a análise preliminar do local: a motocicleta de Pagadala não apresentava sinais de colisão, seu capacete estava intacto e não havia marcas de acidente na estrada. Centenas de cristãos se reuniram em protesto fora do Hospital Geral de Rajahmundry, onde o corpo foi levado para autópsia, exigindo uma investigação transparente. Em resposta, o governo de Andhra Pradesh, sob o comando do chefe de governo N. Chandrababu Naidu, ordenou uma apuração detalhada, incluindo a formação de uma equipe especial de investigação e a análise de imagens de câmeras de segurança. Até o momento, porém, as autoridades não divulgaram conclusões definitivas, o que só aumenta a angústia da comunidade.

A morte de Pagadala ocorre em um contexto de crescente hostilidade contra cristãos na Índia, onde a perseguição religiosa tem se intensificado. Relatórios recentes da organização Portas Abertas indicam que o país, cada vez mais fechado a missionários estrangeiros, nega vistos e dificulta a entrada de organizações cristãs. Em 2024, o Fórum Cristão Unido de Délhi documentou mais de 800 incidentes de ameaças ou ataques contra cristãos, muitos deles ligados a grupos extremistas que acusam os fiéis de “conversões forçadas”. Apesar disso, líderes cristãos no sul da Índia e no Nepal afirmam que o trabalho evangelístico continuará, mesmo sob risco. “A perseguição não nos calará. Pelo contrário, nos dá mais força para levar a mensagem de Cristo”, afirmou um missionário local que preferiu não se identificar.

Pagadala, que deixou esposa e dois filhos pequenos, era uma figura carismática e respeitada. Ex-engenheiro de software, ele abandonou a carreira para se dedicar ao ministério, fundando a “Sakshi Apologetics” e aparecendo regularmente em canais cristãos como a Rakshana TV. Seus debates públicos e sua crítica ao sistema de castas e à intolerância religiosa atraíram tanto apoio quanto inimizades. Um mês antes de sua morte, ele havia expressado temores por sua segurança em redes sociais, o que reforça a tese de que foi alvo de um ataque planejado.

Enquanto a investigação segue, a Igreja Perseguida na Índia clama por orações. Em Hyderabad, cerca de 100 mil pessoas participaram de uma procissão fúnebre em sua homenagem, realizada no dia 27 de março no Centenary Baptist Church, em Secunderabad, sob forte esquema de segurança. Velas foram acesas em vigílias por todo o país, como a organizada pela United Christian Churches em Tirupati, no dia 30 de março, em memória do pastor. “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10) tem sido o versículo repetido por aqueles que veem em Pagadala um mártir do Evangelho.

A oposição ao governo petista, alinhada a uma visão crítica da esquerda, aproveitou o caso para questionar a inação das autoridades nacionais diante da escalada de violência religiosa. “Enquanto o PT fala em inclusão, cristãos são mortos por sua fé, e o silêncio de Brasília é ensurdecedor”, declarou um parlamentar do PL em suas redes. O caso de Pagadala, assim, não é apenas uma tragédia pessoal, mas um símbolo do embate entre liberdade religiosa e intolerância que ameaça o futuro da minoria cristã na Índia. Que Deus console os que choram e fortaleça os que permanecem na luta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error

Enjoy this blog? Please spread the word :)