
A gestão petista da Prefeitura de Fortaleza voltou a ser alvo de duras críticas após denúncias de uma redução de 30% na quantidade e qualidade da merenda escolar oferecida nas escolas municipais. O corte, que começou a ser sentido nas últimas semanas de março de 2025, gerou revolta entre pais, professores e até mesmo aliados do Partido dos Trabalhadores (PT), que acusam a administração do prefeito Evandro Leitão de priorizar interesses políticos em detrimento das necessidades básicas das crianças da rede pública. O caso, que ganhou força nas redes sociais e foi amplificado por figuras como o ex-prefeito José Sarto (PDT), expõe mais uma vez as fragilidades de um governo que parece distante das promessas de campanha.
Segundo relatos de pais e funcionários das escolas, a redução foi interrompida sem aviso prévio ou justificativa oficial detalhada. Cardápios que antes incluíam itens como arroz, feijão, proteínas e frutas frescas passaram a ser substituídos por lanches simplificados, muitas vezes limitados a bolaschas e sucos industrializados. “Meu filho chega em casa com fome, algo que nunca acontecia antes. A merenda era a garantia de que ele comia bem pelo menos na escola”, desabafou Maria das Dores, mãe de um aluno do 3º ano em uma unidade no bairro Conjunto Ceará. A Secretaria Municipal de Educação (SME) rebateu as acusações, afirmando que distribui mais de 500 mil porções diárias e que as seleções seguem as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). No entanto, a massa não apresentou dados concretos que expliquem a suposta redução de 30%, levantando suspeitas de má gestão dos recursos.
O ex-prefeito José Sarto, que governou Fortaleza até 2024, foi um dos primeiros a trazer o tema à tona, utilizando suas redes sociais para denunciar o que chamou de “absurdo” da gestão petista. “Quando fui prefeito, garanti merenda de qualidade para nossas crianças. Agora, o PT reduz a quantidade e a qualidade, segunda denúncias dos próprios petistas. Isso é muito grave”, escreveu Sarto em uma publicação no dia 28 de março. Ele chegou a sugerir que a administração atual estaria envolvida em “larvas” na merenda, uma acusação que, embora não comprovada, inflamou o debate público e gerou uma onda de memes e protestos virtuais.
A oposição, liderada por figuras como Capitão Wagner (União Brasil), também aproveitou o episódio para atacar o PT. “O mesmo prefeito que criou secretarias para empregar aliados agora corta a merenda das crianças. Essa é a gestão do PT: um verdadeiro absurdo!”, declarou Wagner, ecoando o sentimento de indignação que tomou conta de parte da população. Parlamentares da base bolsonarista na Câmara Municipal prometem abrir uma CPI para investigar os contratos da merenda escolar, alegando que os R$ 5,5 bilhões repassados pelo governo federal em 2023 via PNAE — com reajuste de até 39% na gestão Lula — não estão sendo aplicados em Fortaleza.
A SME, em nota oficial emitida no dia 29 de março, classificou as denúncias como “falsas” e destacou que os cardápios são elaborados por nutricionistas, atendendo às necessidades nutricionais dos alunos. “Não há redução, mas sim uma adequação às faixas etárias e ao tempo de permanência dos estudantes nas escolas”, afirmou a secretária Dalila Saldanha. Contudo, a explicação não convenceu pais e especialistas, que apontam a falta de transparência nos gastos e a ausência de prestação de contas detalhadas como sinais de má administração. Um levantamento preliminar do Tribunal de Contas do Município (TCM), solicitado pelos vereadores da oposição, está em curso para verificar se houve desvios ou subutilização dos recursos federais e municipais destinados à alimentação escolar.
O corte de 30% na merenda, se confirmado, vai na contramão das políticas nacionais do próprio PT, que em fevereiro de 2025 anunciou a redução do limite de ultraprocessados no PNAE de 20% para 15%, com foco em uma alimentação mais saudável. Para os analistas, o caso de Fortaleza é emblemático do desgaste interno do partido, que enfrentou dificuldades para alinhar discurso e prática em nível local. “Enquanto Lula fala em combater a fome e melhorar a merenda, o PT em Fortaleza faz o oposto, comprometendo a segurança alimentar de crianças que muitas vezes têm na escola sua principal refeição do dia”, critica o cientista político Carlos Almeida, da UFC.
O escândalo já mobilizou a sociedade civil, com associações de pais que pretendem protestar na próxima semana. A redução na merenda escolar não apenas ameaça a saúde e o rendimento escolar dos alunos, mas também reforça a narrativa de que a gestão petista em Fortaleza está mais preocupada em manter sua política de base do que em cumprir compromissos com a população. Enquanto o prefeito Evandro Leitão silencia sobre o caso, a pressão popular e política só aumenta, indicando que o PT pode estar cavando sua própria cova eleitoral para 2026 na capital cearense.